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Chegando no UK, aterrissando em Newcastle

The Angel of the North, Gateshead.

Não se pode deixar passar nenhum momento. Era tudo absolutamente novo para mim. Desde viajar com a British Airways como ver Londres e Newcastle lá de cima. Já no saguão do Galeão, o tratamento dos funcionários da companhia aérea destoava daquele a que nós brasileiros estamos acostumados. Sorrisos, cordialidade, simpatia. No vôo, já pude provar do nada agradável café inglês, mas também desfrutar de boas refeições e vinho à vontade. Chegando no Heatrow airport, em Londres, precisava correr para passar pela alfândega e embarcar para Newcastle em menos de 1h30. A minha ansiedade para conhecer o norte da Inglaterra não parava. Era tudo impossivelmente diferente do que já vivi: os ingleses num vôo doméstico, o avanço do aeroporto de uma das cidades mais importantes do mundo e eu sozinha no meio de toda essa novidade. Era muita ansiedade para pouca Laís.

Newcastle vista de cima é exatamente aquilo que nos vêm em mente quando pensamos  numa cidade essencialmente britânica: casas iguais e milimetricamente organizadas umas em relação às outras, campos muito verdes, um certo clima de domingo. E sim, a arquitetura britânica é realmente encantadora, sem nunca ceder ao moderno (na parte exterior, evidentemente). Mas o sopro de vida que Londres havia acabado de me lançar foi o suficiente para ofuscar essa nova vista. Achei a terra dos geordies monótona pela sua regularidade, ao menos contemplada da minha poltrona.

Um motorista da International House veio me buscar no modesto aeroporto da minha nova cidade. A volta de Mercedes que atravessou a cidade toda até Gateshead, do outro lado da ponte, me deu a ligeira impressão de que a cidade não seria tão agitada quanto haviam me prometido. Chegando na minha host family, a melhor surpresa: uma host mother extremamente simpática e acolhedora, com quem tive o prazer de conviver durante esse mês em terras distantes. Chá e bolinhos me foram preparados pra me recompor da longa viagem. Jantar com entrada, prato principal e sobremesa me fizeram sentir ainda mais em casa.

Sim. Newcastle faz frio inclusive no verão. Fazia 13 graus no horário em que eu cheguei (16h), e, à noite, a temperatura era de normalmente 8, 9 graus. Então, se você estiver planejando um intercâmbio, sugiro verão ou primavera, mesmo se estiver procurando frio.

Nesse primeiro dia em Newcastle-Gateshead, não estava nem um pouco cansada. O que queria mesmo era explorar a vizinhança o quanto antes. Eu e a host mother fomos no Angel of the north, símbolo do Norte da Inglaterra, que era pertinho da minha nova casa. A vista de vastos campos e colinas não deixava de encantar, bem como as casas inglesas, que te dão uma vontade doida de comprar uma dessas e viver pra cuidar dela hahah.

Conversas na mesa de jantar sobre o Brasil e a escola marcaram a noite. Regras básicas foram explicadas. Eu mal consegui dormir de tanta euforia.

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A escolha do destino: Newcastle Upon-Tyne

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Desde que estava no Ensino Médio, o meu projeto era passar no vestibular no 2o ano, para ter tempo de fazer meu tão esperado intercâmbio antes de iniciar a faculdade e evitar passar pelo rigoroso 3o ano ano da minha escola. Apressada que era/sou, essa seria a única forma de fazer tudo que eu ansiava tanto fazer, depois ainda ia estudar italiano, francês, vontades que a escola sempre me impediu de realizar. Como nem tudo sai como se espera, e nem por isso é exatamente ruim, tive de enfrentar o meu último ano, que com sorte e empenho pude passar para o curso que eu queria, na universidade que queria. No entanto, a ânsia por viajar ia sendo deixada de lado ante a mudança de cidade, de vida e de novos desafios pós aprovação.

Mas o desejo ainda pulsava. Agências de intercâmbio nunca pararam de me mandar emails e catálogos de destinos.Eu até já conhecia os vendedores de cada uma delas na minha cidade, os que persistiam no emprego, os que arrumavam trabalho pelo simples fato de ter viajado com a companhia. É estranho estar envolvida desse jeito, mas suponho que todas essas pessoas compreendiam o quanto eu queria viajar, não só por pedir orçamentos com frequência, mas por insistir, de semestre em semestre, que, no ano seguinte, esse intercâmbio tinha que sair.

E saiu. Logo no fim do segundo período de faculdade. Tudo já pago. Algumas ameças de greve antes do término do semestre quase adiaram novamente os meus planos. Mas aconteceu, depois de uns três ou quatro anos de tentativa. Depois de MUITO ler os atrativos de cada cidade, a única certeza que tinha era que seria Europa. E como tinha que praticar o inglês (por enquanto), devia escolher entre as cidades do Reino Unido ofertadas.

Principais destinos: Londres, Brighton, Bristol, Cambridge, Oxford, Manchester, Edimburgo, Bournemouth. Por questões financeiras, eliminei logo de primeira Londres, Cambridge e Oxford. Na época, as achava extremamente clichês. Bournemouth é o recanto dos brasileiros na Inglaterra, e a última coisa que estaria procurando na Inglaterra seria brasileiros. Tornou-se lugar comum demais. Depois, eliminei Edimburgo, porque queria Inglaterra e não Escócia. Também não queria litoral, porque o lugar deveria ser realmente diferente da vida que estou habituada. Lembrando que nasci e morei a maior parte da minha existência em uma ilha, e agora moro no Rio. Ou seja, o elemento praiano é quase uma definição minha. Sobrou Newcastle. Não sabia nada sobre a cidade, ela me foi apresentada um ano antes por uma companhia, numa das minhas inúmera tentativas de fechar a minha viagem. A princípio, me pareceu demasiado pacata, óbvio que as referências a Harry Potter atraíam, mas faltava o fascínio que eu queria sentir para poder estar convicta de que sim, eu tinha que ir pra lá.

Mas acabou que foi ela a escolhida. Talvez pelo fato de quase ter ido pra lá no ano anterior, mas impossibilitada mais uma vez por uma série de desculpas, invoquei com a ideia. Queria ir pra Newcastle e ponto. Queria algo muito diferente do Brasil, queria estar perto da Escócia e mudar de país em 2 horas de ônibus, em menos de 2 de trem. Queria poder ir pra Londres. Queria campos verdes. Queria cerveja marrom. Queria sua tão bem falada atmosfera jovem. Queria a noite em Newcastle. Queria a cultura britânica em essência, e foi o que tive.

Lowfell

Lowfell

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Aqui não mais, por favor…

Aqui não tem a menor graça

Nada encanta

Aqui não!

S’il vous plaît…

Basta daqui!

A minha presença aqui se estendeu

(Mais do que deveria)

Não há espaço que me caiba por essas bandas

Que dê conta de comportar

Meus pensamentos

Meus planos

Meus sonhos

Todos longe 

Bem longe

Daqui 

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Canção do amor imprevisto

 Mário Quintana

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Eu sou um homem fechado.

O mundo me tornou egoísta e mau.

E a minha poesia é um vício triste,

Desesperado e solitário

Que eu faço tudo  por abafar

 

Mas tu apareceste com a tua boca fresca de madrugada,

Com teu passo leve,

Com esses teus cabelos…

 

E o homem taciturno ficou imóvel,sem compreender nada,

[ numa alegria atônita…

A súbita, a dolorosa alegria de um espantalho inútil

Aonde viessem pousar os passarinhos!